Arthur Jaak Wilfrid Bosmans - Filho do compositor e maestro Arthur Bosmans e da administradora e diretora de teatro Walkyria Bosmans, nasceu em Belo Horizonte no dia 29 de novembro de 1950.
Iniciou os estudos de música clássica aos 7 anos, como pianista. Preferiu o caminho da música popular, do blues, e do jazz, formando bandas bastante conhecidas na época, entre elas o Vox Populi, partindo em seguida para composições próprias, em parceria com o saudoso poeta Adão Ventura, quando obteve alguns prêmios em diversos festivais da MPB.
Aprovado pela Ordem dos Músicos do Brasil como pianista e guitarrista em 1967.
Na música, participou também, como guitarrista e pianista em várias bandas da época, junto a artistas como Milton Nascimento, - ainda em BH -, Roberto Carlos, num de seus primeiros shows - no pavilhão São Cristovão no Rio, Nana Vasconcellos, Tavito, entre muitos outros. Incentivado por Adão Ventura, Jaime Prado Gouvêa, Valdimir Diniz,Carlos Roberto Pellegrino, Murilo Rubião, Sérgio Tross, Orlando Cavalcante, entre outros que formava a equipe do Suplemento Literário do Minas Gerais, publicou seu primeiro conto em 1972 “ A Lanterna Vermelha”. Ainda como músico e já tendo alguns outros contos publicados no Suplemento, cursou a Escola de Belas Artes Guignard como aluno ouvinte, por não ter ainda idade para ingressar na escola através do vestibular. Poucas coisas na área das artes plásticas obtiveram êxito: “fui um artista plástico medíocre” dizia ele. Mas valeu o conhecimento necessário e muito importante para toda uma vida dedicada ao trabalho poético e artístico.
Cursou Engenharia de operação Mecânica, num momento de poucas possibilidades nas áreas que realmente o atraia, como a música, o teatro, o cinema, a literatura. Deixando o curso, ingressa na maior agência de publicidade de Minas, ASA Publicidade, na área de criação e produção de rádio e televisão. Com pouco tempo na área ingressa na produtora Pró-filmes, de Luiz Mauro, filho de Humberto Mauro, onde dirigia e produzia alguns comerciais e documentários. Em 1974, consegue uma vaga no Curso de cinema da Agfa Gevaert, em Mortsel, Bélgica. E lá ficou, aproveitando alguns estágios na área de cinema e fotografia, quando é convidado a ser assistente de direção do diretor francês Marc Mopty, no Filme “Genese Degrée 3000”, apresentado na Photokina, em Colonha, Alemanha, e premiado como um dos melhores documentários do ano na Europa. Recebe do Centro Studi e Scambi Internazionali, através de seu Delegado Nacional na Bélgica, o poeta Pierre Vandendries, de l’Association des Ecrivains Belges, e de l’Académie Leonardo da Vinci,o Atestado de Reconhecimento por seus trabalhos realizados durante sua estada na Bélgica.
Volta a Belo Horizonte e logo é convidado pela Universidade do Triângulo a dar aulas no Curso de Cinema, (curso tecnólogo), nas matérias Direção e Produção, logo depois lecionando também a matéria Roteiro. Na Universidade foi o responsável pela criação e instalação do Laboratório de Cinema, Publicidade, e Jornalismo, recebendo do MEC a classificação AAA, para o curso de cinema. Junto com a Professora de Literatura, Drª Kenia Maria Machado de Almeida, criou e coordenou o curso de especialização ”O Cinema e a Literatura na sala de aula”, com total aprovação junto à instituição e resultados de grande expressão junto aos alunos, que realizaram individualmente um vídeo poema de um poeta brasileiro, apresentado como trabalho final do curso. Foi quando deu início à criação de suas “POEMAGENS”, e começa a se dedicar mais à literatura e mitologia.
Hoje a “Poemagem” já se classifica como um movimento que é conhecido e aderido por muitos poetas, artistas plásticos e fotógrafos, tendo a participação imprescindível de um diretor de arte e um Web design. Uma linguagem que vem alimentar toda uma geração imagética, no sentido de recriar o gosto e a participação mais ativa no contexto literário, principalmente da poesia. Jaak participa com suas poemagens em várias comunidades orkutianas, tem seus poemas no Recanto das Letras, no Poetas del Mondo,e em vários nings internacionais, como o Clube da Língua Portuguesa, no Fala Brasil, e em outras fontes como o Google. Tem sua primeira participação em antologia em 2009, com quatro poemas classificados em Latinidade Poética.
É na flor da minha pele que estão meus versos
Minhas loucuras, minhas guerras
Lugar de sustentar agonias, insônias e pernilongos.
Flor de desperfumes sem caules sem pétalas,
Apenas produz o pólen dos meus sentires.
É a flor que enraíza no meu coração,
Sensíveis marcas de amor e de dor.
Jaak Bosmans
Ar
Perfumes me recordam flores com
Aromas crocantes aos sabores agridoces
Hora do Ângelus que me lembra Shubert,
No primeiro abandono no velho internato.
Percebo que as abelhas em coro afinado,
Festejam a partida do sol na vertical,
Quando de lado posso estar deitado.
Relva, ou grama, entre trigais e girassóis,
Recebo em mim pinturas novas de Dali.
Traços de completo equilíbrio se fixam
Entre meu corpo e minha semente.
Preferências que até hoje não discuto.
Mas sinto sufoco de tantas perguntas.
E em grandes saltos entre um verso e outro,
Procuro ar na solidão que me recolhe.
Jaak Bosmans
Achadamente apaixonado
Era todo um bailado de pássaros em cores
amanhecendo ao teu lado em constantes carinhos
entardecendo nos sonhos que nos fizeram perfeitos um para o outro,
em puros e perdidos encontros de delícias e ternuras,
deslizando em sabores de vinhos tintos secos
em corpos molhados de suor dos nossos prazeres.
Nada se perdia tudo se transformava como parte do universo!
Nossos olhares sempre se encontravam em beijos e falas mansas,
no exagero de tantos sussurros que acreditei ser apenas nossos,
e no que te acolhia em meus segredos e recatos
tinha-te mais amiga e companheira, sem perceber o teu trair.
Ao encontrar-te em perdidas contradições, ainda assim, te amei por ódio.
E no impulso de tanta paixão me encontrei num descompassado pensar.
Como em toda ação, existiu outra igual e contrária, por lei da natureza.
Ao tirar tua máscara engaiolei os versos que te continha
no vendaval de tantas surpresas da tua cruel infidelidade.
Ainda que podadas as promessas de tantos poemas,
brotam ainda como galhos e novos pássaros em cores
todas as poesias que me fazem reencontrar apenas em mim,
o mesmo amante que sempre sou... um achadamente apaixonado.
Jaak Bosmans
A quem pertence...
Eu não me repito em dizeres
Faço sempre diferente meus iguais
Sempre me perco nos momentos
Das noites que ainda me lembro
No imperfeito juízo do que te amei
Deslizei suave entre a fantasia e o medo
Não te ofereci nada além do absurdo
Desta nova versão de se criar uma nova vida
Pertenço ao único espaço em que me terias
Mas chorei traído pelo engano de ser teu
Num disforme e contorcido reflexo
Da tua sempre áspera e cruel repetição do não...
Que apenas te pertence.
De tantos quebra cabeças viramos brinquedo
Onde nossos pedaços já se conhecem,
A mim, a ti, num sempre incompleto de nós dois.
Brinquedo repetido, chato, sempre guardado pra depois.
Assim se desfaz em tão triste devolução
A louca paixão rasgada por teu abandono
Sem nenhuma lembrança de quem te fui
No perfeito gozo de tuas cruéis razões.
Tudo perdido numa versão sem graça e incolor
Cálida e silenciosa de nossa última caminhada
Num simples e imperdoável querer-te mais do que devia.
Na mais bela revelação de apenas não me repetir...
Que apenas me pertence.
Jaak Bosmans
Amor sem passado sem futuro
No caminhar sobre o resto das lembranças
Percebo perdidos pedaços que já esqueci
Foi a força de toda uma história de paixão
Terminada no início de um amor que nunca tive
Me perdia no sentido vago de algumas alegrias
Que me sorria à noite, me acordando em lágrimas.
Era um tempo presente, pretérito do não saber.
Me conjugando na primeira pessoa, singular e inexplorável.
A ela pertencendo lugar fixo na segunda do mais que perfeito.
Assim me desfiz no desejo de conjugações.
Onde apenas a primeira pessoa deve ser sempre plural
Pertencendo ao mágico mistério do amor.
O nós que se faz um!
Jaak Bosmans
Alma que ama
Você se torna parte de mim
quando sinto que meu coração bate diferente com suas palavras,
mesmo no silêncio.
Busco não acreditar que em amanheceres chuvosos ou ensolarados,
você ainda pode me estender a mão.
Não como anjo etéreo e suave,
mas como alma que ama,
E que me surpreende a cada instante
com sua maneira de ser e de não ser.
Jaak Bosmans
Branco.
Tingiu-o o tempo.
Tingiu-o sonhos interrompidos.
Tingiu-o a neve do coração gélido
De um amor que me traiu.
Tento ainda traços coloridos.
Cores fortes, como os músculos da esperança.
Nos cabelos de um velho jovem.
Que ainda sonha que foi só um sonho.
Jaak Bosmans
Cartas na mesa
Aquela carta escondida
Estava marcada de esperas
Num embaralhar constante das vidas,
Passaram reis, passaram rainhas,
Damas e valetes se divertiam.
Duelos de ases, valiam ouro.
Espadas perfuravam todos os sonhos
Paus já não valiam como esperança
A menor delas foi a que faltou
Apenas um dois...
Um par de corações.
Jaak Bosmans
Colhendo segredos
Recolha as estrelas
Ainda em sementes
Desenha o infinito
E plante-as em outros céus,
Bem longe
Adube-as com sonhos
Regue-as com lágrimas
E espera pelos segredos
Daquela que escolheste tê-la,
Bem perto
Jaak Bosmans
Corpo sonoro
Em teu corpo negro de braços tracejados
Silencia agora todas as minhas canções.
Perdi o ritmo, atravessei nas pausas.
Desafinei os acordes da velha canção.
Não era o blues quem reclamava.
Os improvisos de solos tristes.
Eram lágrimas sobre as cordas tensas.
Delays e distorções sobre a cor da pele.
Colei assim mais ainda o teu corpo ao meu,
Para no silêncio refazer nosso encontro.
E num sorriso de belas notas amplificadas,
Voltastes a vibrar teu corpo ao toque dos meus dedos.
Jaak Bosmans
Codigo do desencontro
O sabor que te fez em mim se desfez por entre as nuvens
Perdendo o encanto de tantas entregas agora perdidas
Tirei da gaveta a roupa mais nova, só pra despedir, ainda solene.
Como foi o encontro, em um dia qualquer, agora distante.
De encontros sonhados, prazeres em esperas, de nunca mais!
Desfez-se o encanto, de tanto desejo se transformando em visões.
Querer- te em meus braços, no aroma de incensos agora apagados.
Descer das nuvens em forma de chuvas de gotas amargas.
Surpresa? Quem me dera ainda fosse!
Previsto no código do desencontro e desconfiança.
Que se reparte entre os nefastos e doídos da vida.
Para a preservação de uma espécie em extinção.
Jaak bosmans
Desembarque!
Bagagem sempre leve,
Carrego só no coração.
Estação abandonada de chegadas
Recorda ainda apenas as partidas
No velho banco já gasto de lágrimas
Sentado nele, ainda te sonhava ali
Cabeça entre as mãos, em negações,
Recordava teus abraços, adeuses e cartas.
Num perder constante da hora do embarque
Tornou-se mais fraco meu coração
E num ímpeto de loucura e vertigem
Me desfiz logo daquela leve bagagem.
Apito distante eram ecos do passado
Que se aproximou num real acontecer
Parando entre ruídos e fumaças
Quando em novo bater me fez o coração.
Era o último desembarque possível
Em te trazer de volta para nós!
E assim meus olhos te viram,
Afinada com meu sorriso.
Triunfou todas as velhas vontades
Como fogo que nos fez um louco-mover
No trilho brilhante, um vagão em por do sol,
Desliza agora em nova viagem de recomeço.
Jaak Bosmans
Delicata
De nada me serviria te olhar
Se em mim não existissem reflexos
De tudo que em mim te habitas
Na grande aventura do querer
Me basta poder te entender
Não me fales de amores impossíveis
Que deles sei bem conhecer
Em perdas que me valeram
O ganho maior da vida
De tão longe fizeste perto
O que ainda posso sentir
Como fogo de ardente desejo
Saber que posso deitar
Receber teus lábios nos meus
E de olhos ainda fechados
Saber que você chegou!
Jaak Bosmans
Desvendar – te a mulher.
Percorro em deslizantes carícias
Teu perfil -silhueta, em noite da grande lua
Deitados em lençóis de perfeitas ondulações
Bordados com brilhos abissais, em cenário de prata.
Momento -silêncio de música etérea
Escuto o perfeito encanto do teu desejo.
É pequeno, suave e tímido, o toque de teus pés
Num acolher que me faz sentir que me queres teu.
Percorres ainda em pequenos delírios
Em desejo ardente de ser mulher
Buscando meus segredos desvendar
Sem abrir a guarda, de teus contidos recatos.
Se refazem sabores dos perdidos inícios
Nos lençóis já em dobras menores
Onde os corpos já desnudos se bordam entre si
Na busca do que se torna apenas outro ensaio.
Desejos contidos pelas velhas lembranças,
Se revelam num súbito desfazer de algumas carícias
E no inquieto e incontido sentir-se mulher
Ainda escondes o desvendar – te inteira.
Sufocas em beijos teus sussurros de esperado prazer,
Que no mais perfeito entrelaçar de nossos corpos,
Te retesas e te entregas no mais doce e perfeito delírio,
Quando enfim te fazes mulher naquele que é teu homem.
Jaak Bosmans
Desaparecer do dia
Foi no primeiro desaparecer do dia
Que com ternura e sonhos de aventura
Te abracei nas matizes que se fizeram em cores.
Olhei sereno o tempo e o espaço que se fundiram,
Num silêncio perfeito pa Desaparecer do dia
Foi no primeiro desaparecer do dia
Que com ternura e sonhos de aventura
Te abracei nas matizes que se fizeram em cores.
Olhei sereno o tempo e o espaço que se fundiram,
Num silêncio perfeito para a criação de um Éden.
Te criei em tanta beleza, que somente ali me permiti sorrir.
Correste ao encontro do mais perfeito jardim.
Colorindo as flores, fazendo cantar os pássaros, atrasando o tempo.
E no suave tocar de tuas mãos me fizeste sentir os teus desejos.
A todos satisfiz, porque a todos te pertenci.
E, em retorno pelo tempo e no espaço,
Ficaste ainda, no último desaparecer do dia.
Jaak Bosmans
Desenganos
Acreditando no seu amor,
vivi enganos sem perdão.
Creditando nos meus dias,
vivencias falsas e brilho fácil.
Marés e luas se fundiam em mistérios
que hoje desvendei.
Abraços apenas dos braços,
que corações não se tocavam.
Beijos feitos de encomenda,
desfeitos e varridos,
após todos os gemidos ensaiados,
nos corpos tão cansados!
Permitida tanta imperfeição
Que assim termina minha afeição.
Num choro ainda incontido,
No silêncio que me pertence,
E ter tido a combinação perfeita
Entre a entrega e a traição.
Jaak bosmans
Deslizando céus
Esperei pela nuvem maior
Num bater forte do coração
Entre águias, céus e azuis,
Surfei equilibrado na prancha da saudade.
Do outro lado, em redemoinhos de nimbos
Te via sorrindo e de braços abertos.
Gritavas em puro e suave silêncio.
-vem, vem, meu grande amor.
E deslizei respingado de gotas dos céus
Até ou teus braços, teus lábios, nossa aventura.
Jaak Bosmans
Encontro sonhado
As costuras de nossos encontros não suportam mais tantas agulhas e linhas fracas,
Segurei o tempo com o cerzir de ternuras e só recebi remendos de dissabores.
Alinhavado por poesias e imagens, canções e recordações já rasgadas.
Volto sozinho e me fecho agora, com todos os botões e zippers, e me guardo.
Ainda tenho novos retroses que me tecerão no mais belo bordado.
Assim estarei vestindo suavidade e carícias no perfeito encontro sonhado.
Jaak Bosmans
Ecos do coração
Há um coração batendo forte
No descompasso de desejos contidos
Há um coração acelerado
No castigo da sempre espera
Há um perfeito estado de harmonia
Se desfazendo sempre no segredo de um passado
Há que existir a passagem de um verso para outro
Com a delicada lembrança do que não foi.
Da imprudente prudência que se fez em adeus
Na volta do que não se renova mais.
Há um coração inteiro ao lado de um coração metade,
Que num sempre descompasso se reparte em dores.
Na espera de ouvir, mesmo de longe, um “amo você”,
Que no eco do seu vazio ganha sua outra metade.
Jaak Bosmans
Extraindo você
Passeio sempre pelos sertões verdes
Por grandes desertos em Oasis
Entre Marias Bonitas
Em dança dos sete véus
Recorro sempre ao olhar mais simples
Em fantasias de tudo poder ser real,
Os mares de areia
Florestas de águas claras
Entre sereias e sacis
Onde me faço coerente.
Me vestindo ora marinheiro, ora cangaceiro
Ora sultão, ora lenhador.
Navego teu corpo em suaves ondas de além mares
Sou o cabra macho que te faz minha Bonita
Te tenho no meu harém onde todas, é só você
Da floresta submersa te extraio gota a gota.
Num perfeito saber que não te existes.
Jaak Bosmans
Essência de mim.
Permaneço no sentido abstrato da existência.
Gosto apenas do simples sofisticado.
Isso requer elegância.
Isso exige delicadeza.
O que me torna único,
e só.
Jaak Bosmans
Entre luas e desertos
Não me importa tecer versos em solidão
Quando tua falta me faz tanta presença.
Rascunho tudo que foi pensar de nós dois
Quando pertenci a alguns de teus sonhos.
Entre luas e desertos percorro imensidões.
No clarear dos dias, no calor de teus afagos,
Sempre em lembranças do que não me limita,
O querer-te nos restos das poesias que te faço.
Versos inconstantes que te levam que te trazem
Nem perto nem longe, sempre juntos em magia.
Da falta que me fazes, alimento tristes versos.
Faço assim sempre cheio, meus vazios de você.
Jaak Bosmans
Fila de estrelas
Foste única em mim,
Perdida em céus estrelados
Cega pelos relâmpagos do passado
Puseste a perder os carinhos e a felicidade
dos sonhos que sempre sonhaste.
Te entregaste em metades,
Quando na pureza de um dia, negastes a receber
O presente desenhado pelas estrelas
Preferindo a fuga como certeza da proteção.
E no choro contido que te rasga o coração.
Te deitas agora neste chão sem estrelas.
Foste única em mim.
Desprezando luares, canções e silêncios.
Tudo de belo e novo tão perto de ti esteve,
E deste lugar aos velhos fantasmas,
Esfaqueando em desespero aquele que te deu a mão.
Choram as estrelas que se vão, em fila, para um novo céu.
Jaak Bosmans
Flores da ribalta
Cenário sempre quase pronto
Figurino ainda em retoques
Texto passado por trás das rotundas
Luzes ensaiam o anoitecer da cena
Num paradoxo de já ser noite
Platéia sempre cheia
Com lugares reservados nunca usados.
Roldanas levantam paredes
Como se tudo fosse mentira.
No espaço de um palco
Cabe o mundo, o universo.
Objetos ainda faltam!
Que falta poderiam fazer?
Completo pode ser qualquer vazio.
E no abrir da cortina os atores!
Sempre fingem representar,
O que na vida sempre fazem.
Apenas aguardam os aplausos finais,
Que na vida é apenas silêncio,
Com algum choro, flores e cortejo.
Jaak Bosmans
Futuro conjugado
De virtudes e cumplicidades se refez passados
Nunca como o presente vivido em tantas agonias
Passado de glória do sangue inocente
Se é que possa existir algum sangue culpado.
Desfez-se a humanidade em pretéritos inacabados
Em mais do que perfeitos sinais de decadência
De tudo que construímos no presente imperativo
Sem nenhuma importância do afirmativo ou do negativo,
Desde que o imperfeito conceda lugar à desesperança.
Mas jamais se esquece dos inesperados intransitivos.
Que tardam aconteceres e precipitam o final das histórias.
Apenas para se fazer Verbo e voltar a existir entre nós.
E assim já sinto saudades.
Saudades do futuro.
Jaak Bosmans
Iguais.
Que bom ser assim.
Exatamente como todas as pessoas não são.
Ser igual a todos com todas as diferenças.
Ter tudo, que os outros têm, e saber
Que nada tenho!
Eu divirto em sorrisos e gargalhadas,
Enquanto choram pelo sorvete derretido.
Roubo goiabas, cigarros e amores,
Durante o tempo em que eles se roubam.
Toco ainda as mesmas músicas e canto desafinado,
Para o aplauso ébrio das mesmas pessoas.
Tenho tanto pra fazer que, prefiro descansar primeiro,
Vejo saltos altos, gravatas e paletós,
Prontos para um encontro tosco.
Luz de velas, champanhe ou vinho.
A grande farsa que ainda é galanteio.
Na mesa ao lado, converso em versos,
Batatas fritas e como foi seu dia.
E aí sim, vem o melhor: saímos a passear!
Que bom ser tão igual.
Jaak Bosmans
Letras em jogo
Pegam-se todas elas sem distinção
Nem de cores nem valores
Algumas sempre vêm repetidas
E há curingas misturados.
No tabuleiro branco do papel
Distribui-se uma a uma sem apostas.
No jogo participa apenas nós dois
Minha razão e a minha emoção.
Às vezes na melhor jogada ganha a razão
E sorrindo a emoção mostra o curinga.
Confusão final na contagem dos pontos
Se a cedilha vale mais que dois esses,
Se abajur pode ser em francês
E se homem ainda é com H.
Na poesia as letras nunca se embaralham,
Apenas o poeta se perde no meio delas.
E ao final deste jogo tão disputado
Poeta vencido... a poesia ganha!!!
Jaak Bosmans
Minguante
A lua em quarto
Penetra meu quarto
Onde guardo retratos
de tudo que foi...
Jaak Bosmans
Magia final
Não pertenço a sonoridades perdidas.
Eis o silêncio que te entrego, em belas palavras nuas.
Repartida em sílabas e sem sinônimos.
Comunhão perfeita entre o teu recato e o meu prazer.
Venho de não ter que te explicar amores.
E me recolhes no mais simples do que é o amor.
Entro no templo de esquecer que existe tempo.
Pertenço à rebeldia de recusar antigos sonhos,
Recostando em teus lábios todos os meus beijos.
Desfilo assim, em cortejo de belos pássaros, crianças e flores.
Para espanto e retorno ao mais belo que te entrego.
Com toda a magia e ternura do encontro final.
Jaak Bosmans
Na procura de nada
Permita que eu seja louco nos meus dizeres
Incógnito nas minhas decisões
Permita que eu possa ter a coragem que sempre te falta,
Caminhar estradas que eu mesmo construí.
Aceite ou não o convite de vir comigo.
Mas jamais exija qualquer espera.
Na próxima curva podes não me ver mais.
Vou correr novas paisagens,
Novos encontros e desencontros com ninguém.
Fazer de mim o louco perdido na procura de nada.
Acreditando que a vida pode ser assim.
Apenas sonhada.
Jaak Bosmans
No encontro de nós dois
No encontro de nós dois
Despi-me das armaduras e me revesti de desapegos
Não te queria.Pra que te ter?
No encontro de nós dois era importante que continuássemos dois
Não encontramos pedaços perdidos de nós
Encontramos inteiros que podemos amar.
No encontro de nós dois
Abriu-se uma fenda na paisagem daquele por de sol
Não te queria em despedidas nem mesmo em reencontros
Cada amanhecer me pertencia e eu te oferecia em bandejas,
Ainda na cama, os primeiros raios da luz.
No encontro de nós dois
Teve lua, teares de estrelas, e convite pra ser feliz.
Beijos com um só riso, e me aconcheguei logo, em quase nada.
E que era tudo.
Me desfiz em lágrimas, e colhi-as nas mãos,
Só pra jogar pro alto e vê-las se transformando em brilhos.
No encontro de nós dois
Grandes cavalos alados e pequenas gotas de vento
Transformavam cada palavra em vestimentas de ternura.
Foi assim,que se deu: em mágicas, aventuras, e sonhos
O encontro de nós dois.
Jaak Bosmans
Na distância de estar tão perto
Hoje amanheceu tão bonito.
Estavas abraçada em mim.
E do teu coração escorriam lágrimas coloridas.
Cada uma pertencia a um verso guardado de tanto tempo.
Teus olhos nos meus
Teu coração o mesmo meu.
Colorimos nossos corpos de liberdade púrpura
Permitindo ser suave e leve o silêncio de cada palavra
De um amor tão igual, na distância de estar tão perto.
Despedimos alegres dos nossos pesos
Desamarramos nossos sonhos
Partimos em doces beijos para o mistério do que somos.
Nada era mágico, nada imperdoável ou proibido
Apenas singelo estar, entre nossos impossíveis.
Que o simples amor de tudo cuidou.
Jaak Bosmans
Nossa lenda
Passo a passo vou me entregando sem dor
Inteiro por dentro sem que me vejas
De amor intenso em teus amanheceres
Em fuga constante nos nossos anoiteceres
Percorro calmo teu olhar triste
Sem entender o que me faz te amar
Como se pudesse entender de mim mesmo
Qualquer desejo ou simples querer.
Caminho pelos corredores de meus castelos
Em cada recanto te buscando em princesas,
Onde espiões de sonhos sempre me torturam,
Para te esconder em torres que me aprisiona em ti.
Festejam com relâmpagos, clarins e danças,
Como se qualquer mágico poder existisse,
Que não pudesse ser vencido pelos meus sonhos
E te alcançar além de qualquer prisão.
Entreguei os castelos, e os anoiteceres
Para num vôo matinal entre a dor e a tristeza,
Poder me encontrar no calor de teus abraços
Sobre os escombros das torres, espiões e mágicos.
Jaak Bosmans
Neblinas
Quando me derramo em sonhos
Apenas percebo ausências que nunca as tive
Busco tocar com as mãos, sombras, cores e amores
Em quase nada relembro você a não ser em lentidões
Tenho manchas em todo o corpo, em cores difíceis de pincelar
Meu amar se tornou rebelde, e meu sorriso apenas espelho
Remarco os preços do passado e liquido tudo sem entradas
Desmancho as estantes das lembranças, recolho o lixo das mágoas
E torno a buscar o travesseiro caído ao chão.
Recosto nele os pés e me abraço a novos tormentos!
Solidão!
E em novo sonho me torno barqueiro só pra te levar.
Sem nada no silêncio da incerteza,
Nos encontramos partindo para a outra margem.
Longe!
Onde ninguém vê quanta ternura, quanto carinho, abraços e beijos.
Porque sempre desaparece o barco, sob a neblina de todo sonho.
Jaak Bosmans
Ouração
Garimpo –te inteira
Da lama te tiro.
Que brilho meu Deus!
Jaak Bosmans
Os passos da vida
Era apenas o início de toda uma noite
Com sonhos não programados
Com quarto banhado a luar
E sapatos jogados no canto
Me perdi na falta do sono
Te busquei em alguma estrela
Mas caí de novo no sono
Desperto pelo sol já quente
Banhei-me na tua ausência
Era suor, lágrimas e sangue!
Calcei trocado os sapatos
Mas nada mais me incomodava
Apenas percebi trocados
Os passos que dei na vida!
Jaak Bosmans
Oratium nobilis
Devaneios me fazem subir alguns degraus da consciência.
Participo de rituais mais simples onde só me resto!
Nenhuma extrema mágica, nenhum milagre ou alucinações!
Danço parado e canto interno minha alegria e minha tristeza.
Em infinito azul ergue-se o altar em nuvens desenhadas.
Onde deposito meus encantos, um sorriso e meu encontro.
Entendo que neste momento, o corpo se fez alma, leve e tênue.
E se banha em cristais líquidos, jorrados daquele altar.
Persegue-me ainda todo o passado e seu exercício de lembranças.
Ao toque de um raio desprendido do sol abre-se meu coração.
Por onde passa apenas novos aconteceres em direção ao futuro prometido.
Afoga-se então todo o passado, em desespero e tentativa de retorno.
Religo meus sonhos à realidade e descubro cada passagem.
Dos apontados pecados, que não cometi, bem sei eu, e no ritual isso basta.
Não há preparações, horas ou dias, exige-se só brincar.
Que as crianças e os velhos ainda nos ensinam, como simples meditação.
O templo se constrói com aromas novos e flores eróticas!
Onde comungo muitos abraços, beijos e carícias prolongadas.
Ali te reconheci em olhares, ainda que escondida pelo véu da mágoa.
Quando do suave encontro de nossas mãos, surgiu em brilhos o futuro prometido.
Jaak Bosmans
Procura incerta
A beleza sempre se esconde
Na incerteza de qualquer procura.
Apenas no mais profundo da alma,
Quem a tem pura, pode encontrá-la!
Jaak Bosmans
Pálidos azuis.
Não me retornes mais ao amargo passado,
Quando me desprezastes em amor, na mais perversa traição da confiança,
Numa repetição circular como em globos de morte,
Que me fez permanecer pelo equilíbrio da velocidade.
Em ruídos silenciosos do acelerar de um coração doído.
Permaneço ainda no adeus, de todas as doçuras e belos azuis,
Que se derreteram por tuas indelicadas e cruéis indiferenças.
Nada há que perdoar de tudo que foi apenas um engano.
Ainda me restam os pálidos azuis e as doces lembranças,
Em lágrimas congeladas, a espera de uma nova descoberta.
Recolho os versos dos poemas que ainda te tinham,
Como defesa e medo de novas entregas e desafios.
Quero apenas a conquista de ser agora o conquistado,
Em delicadezas e carinhos, com doces beijos num sempre azul.
Simples assim.
Jaak Bosmans
Retorno
Estranho sentimento esse de voltar!
De algum lugar que fui e não me lembro.
Mas jamais vou esquecer!
Um lugar de colocar perdas,
De trocar abraços, ternuras e olhares
Espaço apertado de amarguras,
Sem tempo para desencontros
Paisagens velhas relembradas no coração
Lugar de onde voltei!
Onde o tempo não tem tempo,
Espaço para sonhar brincando
Lugar de nada se ter, de nada ser.
Apenas estar.
Mas voltei!
Faltava o seu nada ter
Seu nada ser
Nosso estar.
Jaak Bosmans
Sonhar um beijo
Quando me perco nas alamedas escuras da cidade
Guardo o tempo em calçadas de pedras onde me deito.
Olho apenas estrelas esperando por algum beijo perdido
Disparado em direção a algum amante bêbado e tolo.
Janelas se fecham, e luzes se apagam em ritmo de noite.
Os pertos mais lentos, e os longes bem rápidos.
Sincronizam sempre com os choros e gritos.
Dos amores e das dores, que a noite sempre agasalha.
Adormeço nas pedras coberto de estrelas, quando me chamam.
Ainda sonhando ouço tua voz bem perto sussurrar meu nome.
E em deboches, risadas e com certeira facada, gritas em ecos:
És um bêbado! És um tolo!
Jaak Bosmans
Sonhos
Sonhos não se diluem em ácidos beijos
Não se desintegram em falsos abraços
Sonhos são resistentes.
Mesmo não sonhados.
Sonhos são fortalezas da utopia.
São guardiões da próxima realidade.
Sonhos pertencem apenas à liberdade.
Mesmo aprisionados em tantos corações.
Aos sonhos não pertence o medo.
Apenas aos sonhos é dada a licença de
“querer é poder”.
Sem torturas, violências, ou limites.
E no grito de apenas uma dor
Me liberto do sofrimento de ser real.
Jaak Bosmans
Um
Em curtos e suaves acordes
Despenquei em cenas lentas para te abraçar
Amar, amor de carícias, ternuras e sonhos.
Foste apenas passagem em vendaval,
Quando me protegi de seus golpes cruéis.
Implacáveis e assustadores.
Hoje recebo a brisa suave de mãos que me querem
Me recolhendo nos seus braços em ternos abraços
Me fazendo em versos e numa nova e suave canção.
Em breves e etenos sussurros
Trocamos prazeres no toque dos corpos,
Sentidos no encontro de uma só alma.
Nos nossos aconteceres reais e fieis
Tecemos luares, brincamos fantasias
Nos permitindo loucuras de todo um viver só nosso.
Não nos afasta nenhuma distância.
Porque delas nos fazemos mais perto.
Sempre na direção do sermos sempre juntos.
Nos encontramos quebrados e abandonados em dores,
Dos amores que acreditamos ser.
E no calor de tantos abraços, derretemos os nossos pedaços,
E nos fizemos de tudo, um!
Jaak Bosmans
Única razão
Sabes de conhecer saudades?
Sabes de ver-te em tudo?
De colocar colares em torno da lua e pensar que é sempre você?
Não de tirar coelhos de cartolas que é mágica simples,
Mas de me tirar de mim e te entregar o melhor que posso?
Razão estranha essa,
sem nenhuma razão .
A não ser você.
Jaak Bosmans
Um só jardim
Tenho um jardim secreto
Onde planto sementes de sorrisos
Enxerto alegrias em todos os frutos amargos.
Onde nada é podado, apenas regado.
Ali passeio entre amores que me devolveram
Num bosque com cachoeiras em lágrimas
Onde me banho sempre em belas lembranças.
Jardim da vida que plantei com ninguém.
Agora colho sozinho, frutos proibidos. -Silêncio-
Novas e belas flores começam a brilhar.
Onde pássaros se embriagam de perfumes.
Como é belo esse jardim, de eróticas ausências.
É jardim para ser de amores, também regado.
Com muitos abraços ternura e paz.
Num instante de perfeita harmonia
Aconteces florida em projeção holográfica
Como bela, de simples olhar, novo sorriso,
Convite, e as mãos logo se encontram.
Colore então um arco-íris, borboletas e beija –flores
Comemorando a semente que brota solene
De dois amantes num só jardim.
Jaak Bosmans
Último canto
Te procurava em finais de arco - íris
Percorrendo estradas de puras nuvens
Corria através de túneis sem fim
Voava por sobre desertos e oásis
Em bosques, florestas e matas, te buscava
Nas montanhas, em ecos te gritava
Num lago em sol a se por
Chorei quando te vi
Eras cisne e me chamavas.
Num esforço real, irreal e surreal
Me transformei em cisne pra te abraçar,
E como cisne apenas cantei!
Jaak Bosmans
Véu
Nenhum véu é capaz de cobrir sua pureza.
Apenas tira a nitidez de seus traços,
Seu sorriso, seu olhar.
Nenhum véu é capaz!
Nem nos seus mais íntimos prazeres
Cobrir a doçura de sua entrega.
Não!
Sua pureza é mágica e escondida.
Guardada em lugar seguro,
Que só se abre com segredos do coração.
Jaak Bosmans




















































































